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Enxurrada

Enxurrada Enquanto observo a chuva Que como as luzes escorre Pelo vazio chão da cidade Sucedem-se as horas afoitas No entorno do meu caminhar E já mais adiante na curva Resoluta, a enxurrada percorre Sem que exista ambiguidade Sobre o porquê das escolhas Que agora a faz escoar Meus trilhos vão sem surpresa Porquanto em mim jaz o tempo Que é filho de tudo que fiz E é como a chuva a erodir Os rastros deixados para trás Meu peito carrega a certeza E meu espírito o alento De saber que tudo que quis É força que me fez construir Tudo que eu sou capaz!

Eu me questiono sobre a existência

Eu me questiono sobre a existência Eu me questiono sobre a existência, enquanto reflito cada porquê: a mente despe-se da experiência e dos trilhos tecidos pelo meu ser. Mutuamente sou vasto e vago - repleto sou de reflexões - mas por que tanto eu me indago sobre cada uma de minhas questões? "Como devo compor meu substrato para que eu viva com liberdade? O que deve ser do meu caminho para que eu alcance a felicidade?" Se não cessa o espírito, eu adivinho: a vida resume-se ao próximo ato."

A Cidade Tortura

A Cidade Tortura Eu vivo a cidade dos mendigos e sofrimentos que ignoro, dos ônibus abarrotados e pessoas resignadas. Requer esforço enxergar a humanidade. Tudo o que vejo são corpos, matéria que ondula conforme asfálticas oscilações. "Mais amor", eu escuto. Mas para amar é preciso comer, comer requer trabalhar e o trabalho virou privilegio. A cidade tortura com a promessa da recompensa. Para os pobres: comprar. Para outros pobres: viajar. Todos estão doentes e calados. Mas não posso pagar o preço da saúde e minha voz é abafada pelo barulho dos motores. A cor já morreu em mim e o amor se aquietou. O cinza que me tortura é o mesmo cinza que me destrói.

Ciclos, Meus

Ciclos, Meus a possibilidade do meu viver se encerrar quando eu morrer e começar quando eu renascer. A todos os ciclos do meu sofrer sou grato pelo meu sentir porque neste ciclo do existir e do constante evoluir habito eu para servir. Meu corpo é eterno construir e minha mente exarcebar o que de mais belo ná no amar: desejo anímico de se indignar e estado unânime de questionar. Neste Ciclo não vou abarcar tampouco começar a entender,

Soneto da Mudança Possível

Soneto da Mudança Possível Ando a passo descoberto rumo a meu próprio infinito e a cada passo, incerto, do viver, eu faço rito. Ando a passo coerente com tudo que penso e sinto, e mesmo ainda inconsicente, com minhas ações, consinto. Das escolhas sou herdeiro. Erros, amores, aprendizado são conquistas do meu ser mas não me definem por inteiro. Porque a nada estou fadado: mudo eu a meu querer.

Releitura de Versos Amigos

Releitura de Versos Amigos se sou imóvel a vida para se tenho pressa a vida corre se tenho sede a vida é escassa me causa febre a vida ausente me escasseia a vida inerte me desnorteia a vida esparsa

Onde se Escondem as Curvas dos Olhos?

Onde se Escondem as Curvas dos Olhos? Presido rotinas cronometradas e desperto depois de exatas horas, contadas, e deixo para cada cinco dias viver minhas alegrias, mas não é aí que se encontra a felicidade? Acontece que os sorrisos são vários, são ritos, são sorrisos que não rio, são as rimas de um poema não escrito, são as regras do mundo que se fez restrito pelo esplendor da modernidade.