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Auto-reconstrução

Auto-reconstrução À hora de dormir havia alguma coisa como faca entre as gengivas e um fio de sangue a escorrer E havia algo como desejo - embora mais parecesse coceira - ou sede que não se aplacava e sentia falta de ar, falta de ser E tudo então era estado perplexo desse emaranhado disléxico que é o ser a virar sonhador E tudo era um tanto complexo que as palavras surgiam do léxico de quem à vida se dá com torpor Mas o tempo entre as mãos já não era bastante e o futuro era insuficente porque o desdém engolia o agora E o despertar já se fazia tarde porque o dia já era chuvoso, o céu já era nublado e o verão já se fora embora E foi quando viver já não era sem tempo e o amar não mais era escolha mas se tornara obrigação Porque os dias se vão sem alarde mas o agora nunca é tarde para a auto-reconstrução

Enxurrada

Enxurrada Enquanto observo a chuva Que como as luzes escorre Pelo vazio chão da cidade Sucedem-se as horas afoitas No entorno do meu caminhar E já mais adiante na curva Resoluta, a enxurrada percorre Sem que exista ambiguidade Sobre o porquê das escolhas Que agora a faz escoar Meus trilhos vão sem surpresa Porquanto em mim jaz o tempo Que é filho de tudo que fiz E é como a chuva a erodir Os rastros deixados para trás Meu peito carrega a certeza E meu espírito o alento De saber que tudo que quis É força que me fez construir Tudo que eu sou capaz!

Eu me questiono sobre a existência

Eu me questiono sobre a existência Eu me questiono sobre a existência, enquanto reflito cada porquê: a mente despe-se da experiência e dos trilhos tecidos pelo meu ser. Mutuamente sou vasto e vago - repleto sou de reflexões - mas por que tanto eu me indago sobre cada uma de minhas questões? "Como devo compor meu substrato para que eu viva com liberdade? O que deve ser do meu caminho para que eu alcance a felicidade?" Se não cessa o espírito, eu adivinho: a vida resume-se ao próximo ato."

A Cidade Tortura

A Cidade Tortura Eu vivo a cidade dos mendigos e sofrimentos que ignoro, dos ônibus abarrotados e pessoas resignadas. Requer esforço enxergar a humanidade. Tudo o que vejo são corpos, matéria que ondula conforme asfálticas oscilações. "Mais amor", eu escuto. Mas para amar é preciso comer, comer requer trabalhar e o trabalho virou privilegio. A cidade tortura com a promessa da recompensa. Para os pobres: comprar. Para outros pobres: viajar. Todos estão doentes e calados. Mas não posso pagar o preço da saúde e minha voz é abafada pelo barulho dos motores. A cor já morreu em mim e o amor se aquietou. O cinza que me tortura é o mesmo cinza que me destrói.

Ciclos, Meus

Ciclos, Meus a possibilidade do meu viver se encerrar quando eu morrer e começar quando eu renascer. A todos os ciclos do meu sofrer sou grato pelo meu sentir porque neste ciclo do existir e do constante evoluir habito eu para servir. Meu corpo é eterno construir e minha mente exarcebar o que de mais belo ná no amar: desejo anímico de se indignar e estado unânime de questionar. Neste Ciclo não vou abarcar tampouco começar a entender,

Soneto da Mudança Possível

Soneto da Mudança Possível Ando a passo descoberto rumo a meu próprio infinito e a cada passo, incerto, do viver, eu faço rito. Ando a passo coerente com tudo que penso e sinto, e mesmo ainda inconsicente, com minhas ações, consinto. Das escolhas sou herdeiro. Erros, amores, aprendizado são conquistas do meu ser mas não me definem por inteiro. Porque a nada estou fadado: mudo eu a meu querer.

Releitura de Versos Amigos

Releitura de Versos Amigos se sou imóvel a vida para se tenho pressa a vida corre se tenho sede a vida é escassa me causa febre a vida ausente me escasseia a vida inerte me desnorteia a vida esparsa