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Ataraxia em Construção

Ataraxia em Construção Não corre não, Dá-me tua mão, Vamos mais devagar! Atrás de nós Vem um anjo,  Endireitando nossa estrada. Tira um instante só Para receber mais um beijo meu E um abraço um pouco mais longo. Repara a flor no teu jardim, Que nasceu faz algum tempo, E nem tiveste tempo de ver. Caia pela primeira vez na vida: Machuca a tua carne! Deixa jorrar um pouco de sangue Que daqui algum carinho Meu corpo vai curar-te, Enquanto amadurecemos mais. Deixa descer um pouco de chuva Nesse tempo gelado de hoje. Deixa eclodir hemorragia Da tua pele eriçada, Já cansada de esperar Por uma perfeição irreal. Olha só o sol lá fora! Ele te convida a sorrir! Então não cometa o pecado De insistir na tristeza. Quando você chora o mundo se cala: O mundo em silêncio é desesperador... Caminha um passo adiante, Olha tudo ao teu redor. Agradece um pouco mais, Tenta encontrar satisfação. Mas pode gritar no meu...

Não Esqueça

Ando ausente... "Não Esqueça": Não Esqueça Por que mais ninguém se lembra Que um sorriso só esquenta Se alguém consegui-lo avistar? Ninguém mais se lembra de rir Lembra só de reclamar Não mais ouve, é só falar E sente vontade de chorar... Sabe, chorar é bom Mas só um pouco Depois cansa, faz doer Chora não, dá um sorriso Tristeza não é preciso Pra feliz poder viver!

Para Toda Próxima Manhã

Para Toda Próxima Manhã Tão lasciva consegue ser a dor À mente que é inerte Que a bondade circundante É como um pássaro Alça vôos ao menor sinal De que não há facilidade O fascínio da tristeza É capaz de apreender Toda vida inconsciente  E sem apresentar vontade Não é possível libertar-se Do mal ou da ilusão Mas a vontade se constrói A cada instante de verdade E é verdade que a mágoa Não existe realmente Veja apenas o carinho Que estende quem te ama Sem nada requerer Então exalte com afinco Cada momento de alegria E lembre-se que  A cada novo dia Constróis mais um pedaço Da tua satisfação

Morro dos Ventos

Morro dos Ventos Eu já não seria mais eu Se alheio ao que eu sinto De repente anunciasse Que sozinho eu só cogito A tua forma, e não reflito O teu enlevo Ah!, meu bem,  Que se ao fogo inclino Não esqueço o vício Do teu lábio E me convenço Que não te esqueço: Eu sou consenso Do amor que te relevo Mas eu não nego Teu corpo intempestivo Onde não mais me afogo Nem sinto o córrego Do teu toque lascivo E que hoje me é análogo A um soluço Porque nestes dias só aguço A solitude da dor Dos braços meus, sozinhos E das minhas mãos  Sem tuas mãos A se encontrar E quandos os ventos Afagam meu cabelo Eu só lamento O meu rosto paralelo Ao teu: Eu vejo um norte azul, Ficaste ao sul Do rosto meu. 

Caminhada

Caminhada As noites foram embora E deixaram meu sorriso. A lágrima de outrora Não confirma mais presença Nestes sóis corpóreos. Meus passos incertos Levam-me adiante Movido pelas memórias Que fazem-me esquecer  As dores que já senti

Momento Musical # 5: Graveola e o Lixo Polifônico - Insensatez

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Nossa, há tempos que não tinha um momento musical por aqui. Não poderia deixar essa tendência continuar por muito tempo... Uma das coisas que eu mais odeio nas tão chamadas "músicas pop" são aqueles refrões enfadonhos, que grudam na cabeça e não saem mais, sabem? Pois bem, hoje vou compartilhar uma música que tem um refrão que gruda na cabeça, mas não é nada enfadonho. É até um sacrilégio exaltar só o refrão, visto que acho a letra toda excepcional. "Insensatez" é uma daquelas músicas boas para quase todas as ocasiões felizes. "então eu disse para, continua, continua, para, para, para, para, continua, continua, para para, continua, continua, nua, para, para, para, para, continua, continua, para"

Relógio

Relógio Morro um pouco A cada momento Em que sinto dor Em todo adeus que dou A alguém que amo demais. Pergunto-me então, Nos instantes De dores excruciantes Que duram todas as lágrimas: Por que não decido Adiantar minhas horas?