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Soneto do Amor Real

Soneto do Amor Real Amo-te, antes que eu te encontre e amo-te tanto que não te amo, como ama o amor polígamo, mas como ama o amor silvestre. Amo-te porque és imperfeita, já que imperfeito sou também. Amo-te por estares satisfeita por me amares, e não outrem. Amo-te tanto, e com tal intensidade, que ao amar-te líquida eu derramo a volúpia inteira do amor real e porque quando quiseres a verdade da  unívoca razão pela qual te amo, saberás: amo-te porque és realidade.

Sete Estrofes para Sete Amigos em Ouro Preto

Sete Estrofes para Sete Amigos em Ouro Preto E conforme a lua me despertasse E minguante a saudade se fizesse O travesseiro salteou meus sonhos Com um punhado de sorrisos coloridos Da cor dos que há muito não se vêem. E conforme insinuante se mostrasse E sinuosa a rota se estendesse (Que assim também o é a vida) Meu tempo já não contava segundos: Contava intensos, e extensos, os instantes. E conforme nossas mentes mentassem Sobre a infinidade de coisas do mundo E sobre as coisas infindáveis da mente Ali, bem ali, o encontramos: Parte amigo, parte mestre. E conforme o dia passasse E o tempo resoluto se diluísse Os sorrisos faziam oferendas Às amizades já sintonizadas Em frequências de outros tempos. E conforme o violão tocasse E os versos se recitassem Os ventos sopravam lateralmente: Éramos santa e pura essência Da certeza indômita do caminho. E conforme os risos se prolongassem E as lágrimas se recolhessem Decidimos traçar outros...

Sinestesia dos números

Se poesia é jogo de palavras, tentei fazer um jogo de números =P Sinestesia dos números São vinte e três espelhos quebrados Cuja prata não mais escoa Pela face sem reação. E são vinte e sete os cachos negros Outrora fonte de desejos Que viraram recordação. Duzentos e quatro rios se esvaíram Em cento e setenta e um oceanos, Feitos de muitas promessas de amor. Mas apesar do que sentiam Veio o peso dos dezessete anos E toda a água se evaporou. Mas o vapor não moveu as máquinas E as máquinas não giraram moinhos E os moinhos se tornaram vãos. Vãos também são meus caminhos Que passam por entre as pessoas Sem que se entrelacem as mãos.

Ontologia da existência

Ontologia da existência Não encontrarás aqui, mesmo que procures, a causa primeira da vida, só miríades de efeitos. Cheir e os sons e escute as cores, mas nas sensações e sabores não há toque e nem palavra que te faça ser completo . O teu caminho e o teu sentido não terão razões manifestadas, em sorrisos entreabertos, ou em modelos do amanhã. Ao se acu mularem os instantes a forma torna - se irrelevante : não há nexo fundamental ! O tempo simplesmente se esvai. Mas ainda há a verdade que traz cada novo dia : "Torne-se hoje a concepção d a tua pr ópria ontologia."

14 anos-luz

14 anos-luz Da janela, o brilho das estrelas ofusca meus olhos Enquanto sons etéreos inundam meus ouvidos. Os meus pensamentos são fixos e vigorosos, Revelando reminiscência de antigos desejos Durante o dia pensei sobre a vida e a morte Enquanto recolhi consternados sentimentos  Cujos cheiros e cores não são mais acessíveis E nem mais passíveis de recordação Minhas certezas tornaram-se dúvidas Porque não me sobraram razões ou modelos . Sei o que sou. Mas o que me tornarei, Se falta-me bravura, valor e capacidade? Ainda que eu diga sonhar com a mudança Meus atos denotam colorido contrasenso. Vejo tua face tecer eloquentes espirais Mas a noite se repete, e teus sorrisos não são meus.

Verbo Sensar

Verbo Sensar Quis conciliar  o pensar e sentir: criei o verbo sensar! Eu senso, t u sensas, ele sensa, n ós sensamos, vós sensais, e les sensam... Por mais que eu viva muitos segundos minhas prerrogativas cognitivas revelam-me sem o menor desvelo que tudo que me resta é aprender.

Soneto dos Olhares Perdidos

Olás, bravos transeuntes deste espaço de coisas poéticas! Como vão? Posto hoje alguns versos sobre a contemplação. Contemplar é um ato belo e necessário! Soneto dos Olhares Perdidos Quando teu rosto divergiu meus pensamentos E em sobressalto, assaltou os meus sentidos Tornou amenos todos meus argumentos Ao confrontá-los os lábios enternecidos Quando a lembrança do amor não esquecido Teimou mover meu coração envelhecido Nenhum motivo garantiu o meu sustento Nem a certeza impulsionou meu movimento Se teus olhares algum dia se perdessem E já perdidos, os olhos nossos se encontrassem Talvez então com valentia eu lhe contasse Que muitas vezes meus olhares se perderam E em todas elas meus desejos te encontraram Nas tantas vezes que contemplei a tua face