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Elegia aos Meus Romances não Vividos

Elegia aos Meus Romances não Vividos Amor, mar que dias mil eu naveguei em ríspidos, rápidos e líquidos delírios: se outrora eras tão belo e insinuante por que agora tocas-me com o lábio que fere e despudora minha carne, causando-me esta dor tão angustiante? Se em meio a teus caminhos quase inertes divergiu a minha busca, e aí mesmo, minha brusca boca enlouqueceu-se com as repetidas palavras de carinho, atiradas sem pudor e sem remorso, e sem que a alma vislumbrasse viva cor, por que não mais que de repente te despedes de minha ingênua poesia? Por que a tua essência me é estranha, e não entranhas quem em verdade sou, e alegre tu não sentes o que sinto, e triste tu não pensas o que penso, e comigo não te consubstancias? Será que confiando a ti os meus desejos, sonhei eu de um modo tão disléxico, e tão sereno, e improvisado e imbecil, que não tornei-me sequer merecedor de um dia mais a velejar teu corpo vil? Desmonte verso a verso meus poemas e desafie-me novamente a descrever com as pal...

Solidão e Ela

Solidão e Ela Estou rodeado pelo azul e pela solidão, mas estou bem como sempre quis. E é por assim estar que indago a razão pela qual sem Ela sinto-me tão feliz. Oh minha amada, se és meu desejo juvenil, por que de mim foges tão elegantemente? Por que não te entregas ao amor febril que arde vigorosamente em minha mente? Oh solidão, minha companheira de moinhos: alenta-me e enlouquece-me em correspondentes partes. Há longos anos dá-me teus abraços, mas tuas mãos não me fazem carinhos. Faz de nós dois perpétuos amantes, mas deixa entrelaçar-me a outros braços.

Soneto do Eterno Breu

Soneto do Eterno Breu Perturba-me tanto o inconcreto, que cria em minha mente a ilusão de que eu me torne um alguém completo: um ser com sentido, forma e razão. E nessa rota às vezes, o meu eu indefinido, experimenta inúmeras coisas sem sentido e se recorda de vislumbrar o céu, mas cada olhar faz enegrecer meu breu. Breu meu, que longamente habitas minha mente louca e divagadora, minha essência inerte e superficial: diga-me, por que tanto cogitas minha realidade sonhadora, meu corpo imperfeito e irreal?

Montanhista

Montanhista Agora, já predeterminado meu ser e seu romance, a minha verdade essencial foi renovada pela aceitação da realidade do que sou. Não teimo mais em sustentar meu pensamento fractal, nem busco apenas felicidade. A liberdade me fez crescer, tornou meu ser um escalar. Por isso meu léxico vital é uma ontologia inacabada. Sei muito bem que o futuro reservará apenas duas escolhas: platonizar ou prosseguir...

Soneto do Amor Real

Soneto do Amor Real Amo-te, antes que eu te encontre e amo-te tanto que não te amo, como ama o amor polígamo, mas como ama o amor silvestre. Amo-te porque és imperfeita, já que imperfeito sou também. Amo-te por estares satisfeita por me amares, e não outrem. Amo-te tanto, e com tal intensidade, que ao amar-te líquida eu derramo a volúpia inteira do amor real e porque quando quiseres a verdade da  unívoca razão pela qual te amo, saberás: amo-te porque és realidade.

Sete Estrofes para Sete Amigos em Ouro Preto

Sete Estrofes para Sete Amigos em Ouro Preto E conforme a lua me despertasse E minguante a saudade se fizesse O travesseiro salteou meus sonhos Com um punhado de sorrisos coloridos Da cor dos que há muito não se vêem. E conforme insinuante se mostrasse E sinuosa a rota se estendesse (Que assim também o é a vida) Meu tempo já não contava segundos: Contava intensos, e extensos, os instantes. E conforme nossas mentes mentassem Sobre a infinidade de coisas do mundo E sobre as coisas infindáveis da mente Ali, bem ali, o encontramos: Parte amigo, parte mestre. E conforme o dia passasse E o tempo resoluto se diluísse Os sorrisos faziam oferendas Às amizades já sintonizadas Em frequências de outros tempos. E conforme o violão tocasse E os versos se recitassem Os ventos sopravam lateralmente: Éramos santa e pura essência Da certeza indômita do caminho. E conforme os risos se prolongassem E as lágrimas se recolhessem Decidimos traçar outros...

Sinestesia dos números

Se poesia é jogo de palavras, tentei fazer um jogo de números =P Sinestesia dos números São vinte e três espelhos quebrados Cuja prata não mais escoa Pela face sem reação. E são vinte e sete os cachos negros Outrora fonte de desejos Que viraram recordação. Duzentos e quatro rios se esvaíram Em cento e setenta e um oceanos, Feitos de muitas promessas de amor. Mas apesar do que sentiam Veio o peso dos dezessete anos E toda a água se evaporou. Mas o vapor não moveu as máquinas E as máquinas não giraram moinhos E os moinhos se tornaram vãos. Vãos também são meus caminhos Que passam por entre as pessoas Sem que se entrelacem as mãos.