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Amor, Não Lhe Darei Nomes

Amor, Não Lhe Darei Nomes Escrevo versos; devagar divago e indago se vivo. Vivo? Vivo? Vivo talvez porque me entristeço. Sonho contigo às duas da madrugada de uma noite noir; você  insensivelmente vai embora: serás tão recatada? Dou adeus à janela do vigésimo terceiro andar e caio à revelia, até que o chão  faça-se síntese. Amor, não lhe darei nomes.

Soneto da Incerteza

Soneto da Incerteza Ao estar certo me convém ter incerteza, pois sei que tecer verdades é ato vão. Sobre o tecido da verdade e da franqueza, passa o tempo: deixa apenas o algodão. Dura não mais, a verdade, em minha vida, que as histórias fabulosas da infância. O tempo corre e, gentil, dá-me guarida para descobrir minha verdade na alternância. E todos os engodos e os enganos passados foram meias mentiras e meias verdades que me permiti acreditar levianamente. Por isso quero meus fatos reinventados: ainda que reduzam meu ser a metades, me darão força para seguir adiante.

Elegia aos Meus Romances não Vividos

Elegia aos Meus Romances não Vividos Amor, mar que dias mil eu naveguei em ríspidos, rápidos e líquidos delírios: se outrora eras tão belo e insinuante por que agora tocas-me com o lábio que fere e despudora minha carne, causando-me esta dor tão angustiante? Se em meio a teus caminhos quase inertes divergiu a minha busca, e aí mesmo, minha brusca boca enlouqueceu-se com as repetidas palavras de carinho, atiradas sem pudor e sem remorso, e sem que a alma vislumbrasse viva cor, por que não mais que de repente te despedes de minha ingênua poesia? Por que a tua essência me é estranha, e não entranhas quem em verdade sou, e alegre tu não sentes o que sinto, e triste tu não pensas o que penso, e comigo não te consubstancias? Será que confiando a ti os meus desejos, sonhei eu de um modo tão disléxico, e tão sereno, e improvisado e imbecil, que não tornei-me sequer merecedor de um dia mais a velejar teu corpo vil? Desmonte verso a verso meus poemas e desafie-me novamente a descrever com as pal...

Solidão e Ela

Solidão e Ela Estou rodeado pelo azul e pela solidão, mas estou bem como sempre quis. E é por assim estar que indago a razão pela qual sem Ela sinto-me tão feliz. Oh minha amada, se és meu desejo juvenil, por que de mim foges tão elegantemente? Por que não te entregas ao amor febril que arde vigorosamente em minha mente? Oh solidão, minha companheira de moinhos: alenta-me e enlouquece-me em correspondentes partes. Há longos anos dá-me teus abraços, mas tuas mãos não me fazem carinhos. Faz de nós dois perpétuos amantes, mas deixa entrelaçar-me a outros braços.

Soneto do Eterno Breu

Soneto do Eterno Breu Perturba-me tanto o inconcreto, que cria em minha mente a ilusão de que eu me torne um alguém completo: um ser com sentido, forma e razão. E nessa rota às vezes, o meu eu indefinido, experimenta inúmeras coisas sem sentido e se recorda de vislumbrar o céu, mas cada olhar faz enegrecer meu breu. Breu meu, que longamente habitas minha mente louca e divagadora, minha essência inerte e superficial: diga-me, por que tanto cogitas minha realidade sonhadora, meu corpo imperfeito e irreal?

Montanhista

Montanhista Agora, já predeterminado meu ser e seu romance, a minha verdade essencial foi renovada pela aceitação da realidade do que sou. Não teimo mais em sustentar meu pensamento fractal, nem busco apenas felicidade. A liberdade me fez crescer, tornou meu ser um escalar. Por isso meu léxico vital é uma ontologia inacabada. Sei muito bem que o futuro reservará apenas duas escolhas: platonizar ou prosseguir...

Soneto do Amor Real

Soneto do Amor Real Amo-te, antes que eu te encontre e amo-te tanto que não te amo, como ama o amor polígamo, mas como ama o amor silvestre. Amo-te porque és imperfeita, já que imperfeito sou também. Amo-te por estares satisfeita por me amares, e não outrem. Amo-te tanto, e com tal intensidade, que ao amar-te líquida eu derramo a volúpia inteira do amor real e porque quando quiseres a verdade da  unívoca razão pela qual te amo, saberás: amo-te porque és realidade.