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Tempos Modernos

Tempos Modernos "- Acontece que um céu azul cisma pintar de banalidades nossas manhãs, mas como ousa tingir-se de cor tão displicente o mesmo céu que recolhe nosso mundo moderno? Cantemos o cinza das vidas urbanas e falta de tempo - para nossos amigos, cantemos o cinza! da pobreza indelével de nossos espíritos; já não é mais possível que o mundo, tão cinza, resida sobre tão despótico céu! Decretemos que se pinte de cinza o azul, e que o som seja trocado pelo silêncio para que o amor disponha não mais que de dez minutos diários!" Mas espere - alguém diz: "Nem mesmo tu, que me oprimes (que dilaceras minha humanidade) podes regrar o amor do meu coração!"

A Cidade Resiste

A Cidade Resiste E se são cinzas as cores das cidades, das dores das pessoas, outras cores colorem os meus amores, outros odores exalam dos meus afetos. Dos concretos das quadras erguem-se os estacionamentos mas meus afetos gritam: cinzas também não serão meus sentimentos! As chuvas que caem tornam pretos os marquizes e de preto escorrem os cinzas desprovidos de matizes, e se entranham nas cidades com suas sujas cicatrizes. O tempo oprime as pessoas com suas ondas republicanas, mas novas cores pintarão os muros, e nos becos escuros, as pessoas, com suas luzes iluminarão os novos tempos. Finge que não, meu irmão, mas se a opressão do cinza persiste as cores se realinham e as pessoas se reocupam: mas a cidade resiste!

A Cidade Pulsa

A Cidade Pulsa Ando pela cidade e as canções são diversas, um homem alto, magro, esguio dá passos largos rumo a lugares geométricos. A mulher carrega expressões que não defino, e a criança que cai faz a melodia tomar tons de violino. Simples notas que a vida (que sabe como ninguém ser alegre, quando é sofrida) destila em cada uma das suas cotidianas sinfonias. E eu assim, me alimento das canções, como aos domingos, as manhãs fazem banquetes  de olhares e sorrisos.

Preto, Dois Açúcares

Preto, Dois Açúcares Há algo neste dia de agora, cinza e nublado, convidando-me a liquidificar as dores que sufocam meu peito e os caminhos que tenho trilhado, e há algo nestes gritos opacos e vagos olhares noturnos a lançar dúvida sobre meus passos, vagarosos e taciturnos, e a avivar tanto meu grito e a me causar tamanho conflito que a dor me faz querer desistir: mas em um dia chuvoso qualquer, no primeiro gole de café, a vida me convida a sorrir.

Cântico para Minha Gratidão

Cântico para Minha Gratidão Mãe do amor, desnuda-me! Toma-me as mágoas que em mim habitam e os pensamentos que não me sustém. Adorna-me com carinho e momentos de amor; e quando eu presenciá-los lembra-me da bondade que reside nos caminhos onde eu possa encontrar a dor. Ah vida! Tu que tanto me ofereces afeto ao alcance de um simples querer! Quando por vez, eu lhe for ingrato recorda-me do fato que mesmo quando me fazes triste a gratidão persiste nos passos do meu viver.

Hakai de um Poeta em Pleno Ofício

Hakai de um Poeta em Pleno Ofício Ao escrever poemas diversos: dá-se gosto quando as rimas saltitam entremeio aos versos.

Rema forte!

Rema forte! Golpearam-me pelo caminho, temível caminho que frente a mim se precipita em águas escuras, sem que sequer me deixem dizer meu não. Sangram meu peito, apunhalam-me com a retórica, revogam minhas escolhas e traem os meus irmãos. E quem são eles que nunca nos disseram bom dia e nem nunca nos deram alegria, quem são eles agora que até nossa esperança querem roubar? Rema forte, amor, descubri hoje que somos muitos! Temos de escudo a nossa irmandade para o mar negro que vamos remar; e ainda que leve toda a nossa idade, a nossa alma, eles não vão levar!