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Releitura de Versos Amigos

Releitura de Versos Amigos se sou imóvel a vida para se tenho pressa a vida corre se tenho sede a vida é escassa me causa febre a vida ausente me escasseia a vida inerte me desnorteia a vida esparsa

Onde se Escondem as Curvas dos Olhos?

Onde se Escondem as Curvas dos Olhos? Presido rotinas cronometradas e desperto depois de exatas horas, contadas, e deixo para cada cinco dias viver minhas alegrias, mas não é aí que se encontra a felicidade? Acontece que os sorrisos são vários, são ritos, são sorrisos que não rio, são as rimas de um poema não escrito, são as regras do mundo que se fez restrito pelo esplendor da modernidade.

E foi bem lá do alto da Serra

E foi bem lá do alto da Serra E foi bem lá do alto da Serra que em morros se atira lá do alto onde meus olhos não puderam alcançar mira que eu contemplei minha vida e perguntei se era mentira a própria razão do ser E foi bem lá do alto da Serra onde não existe guerra que eu quis que o mundo parasse e que o tempo contemplasse o tilintar dos segundos e os pensamentos mais profundos que embalam meu viver E foi bem lá do alto da Serra ao me preparar para descer que eu guardei a imagem das flores ignorei minhas dores e me reconciliei com a terra porque meus melhores sabores vem também do meu sofrer

Tempos Modernos

Tempos Modernos "- Acontece que um céu azul cisma pintar de banalidades nossas manhãs, mas como ousa tingir-se de cor tão displicente o mesmo céu que recolhe nosso mundo moderno? Cantemos o cinza das vidas urbanas e falta de tempo - para nossos amigos, cantemos o cinza! da pobreza indelével de nossos espíritos; já não é mais possível que o mundo, tão cinza, resida sobre tão despótico céu! Decretemos que se pinte de cinza o azul, e que o som seja trocado pelo silêncio para que o amor disponha não mais que de dez minutos diários!" Mas espere - alguém diz: "Nem mesmo tu, que me oprimes (que dilaceras minha humanidade) podes regrar o amor do meu coração!"

A Cidade Resiste

A Cidade Resiste E se são cinzas as cores das cidades, das dores das pessoas, outras cores colorem os meus amores, outros odores exalam dos meus afetos. Dos concretos das quadras erguem-se os estacionamentos mas meus afetos gritam: cinzas também não serão meus sentimentos! As chuvas que caem tornam pretos os marquizes e de preto escorrem os cinzas desprovidos de matizes, e se entranham nas cidades com suas sujas cicatrizes. O tempo oprime as pessoas com suas ondas republicanas, mas novas cores pintarão os muros, e nos becos escuros, as pessoas, com suas luzes iluminarão os novos tempos. Finge que não, meu irmão, mas se a opressão do cinza persiste as cores se realinham e as pessoas se reocupam: mas a cidade resiste!

A Cidade Pulsa

A Cidade Pulsa Ando pela cidade e as canções são diversas, um homem alto, magro, esguio dá passos largos rumo a lugares geométricos. A mulher carrega expressões que não defino, e a criança que cai faz a melodia tomar tons de violino. Simples notas que a vida (que sabe como ninguém ser alegre, quando é sofrida) destila em cada uma das suas cotidianas sinfonias. E eu assim, me alimento das canções, como aos domingos, as manhãs fazem banquetes  de olhares e sorrisos.

Preto, Dois Açúcares

Preto, Dois Açúcares Há algo neste dia de agora, cinza e nublado, convidando-me a liquidificar as dores que sufocam meu peito e os caminhos que tenho trilhado, e há algo nestes gritos opacos e vagos olhares noturnos a lançar dúvida sobre meus passos, vagarosos e taciturnos, e a avivar tanto meu grito e a me causar tamanho conflito que a dor me faz querer desistir: mas em um dia chuvoso qualquer, no primeiro gole de café, a vida me convida a sorrir.