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Soneto a Josephine

Soneto a Josephine Procuro incessante conforto. Salvação dos júbilos em flor Enquanto declamo, absorto: tu és meu verdadeiro amor Teus carinhos dentro da alma Tornam elísios os campos E fazem ressoar os cantos De uma saudade sem calma Persisto em palavras soltas Enquanto minhas mãos afoitas Te definem de início a fim No jardim das últimas horas, Contemplo a cor das auroras: quero amar você, Josephine!

Pseudo-lírica

Pseudo-lírica A fumaça me arde os olhos, já vermelhos de raiva. Talvez o vermelho erga uma parede efêmera que me afastará da verdade até hoje ignorada: A felicidade não reside aqui. Morreu a lógica, Morreu o lirismo, Morreu a arte, Morreu a música, Morreu a necessidade  e o sentido. Não morreu (ainda) A minha busca. Colho força de instantes eternos, Como o olhar de dois amantes (que não mais se verão). Sentimento não se explica, porque também não se constrói. Traduz-se em carinho. E se carinho não me falta, Tudo bem.

Até Aqui

É o seguinte: "Até Aqui" é uma linda poesia. Eu acho. Se vocês discordarem, tudo bem. Mas penso que não irão discordar. Seguindo a minha prática recente de não delongar nestes textos introdutórios, só vou dizer que é uma poesia que gostaria muito de compartilhar, e sinto que agora é o momento certo pra fazer isso. Se não há nada morto de maneira absoluta, e todo sentido festejará um dia seu renascimento, apresento-lhes "Até Aqui": Até Aqui Nos espasmos dos meus músculos Que os lábios às vezes aprontam Os que procuram sempre encontram Os detalhes mais minúsculos De cada ínfima poesia Pois houve um tempo em que a dor Dotada de um rompante torpor Fazia-me escravo da amargura E definia-me como criatura Que dançava sem sinfonia Meu corpo era uma sangria De choro a escorrer sem guia De lágrimas procurando conforto E sem encontrar, era feito morto Lançando-me à covardia Mas ao andar soprava o vento E sentia com ele um alento Que vinha regado de música Parecendo até um...

Sem Pensar

Com o final do semestre, as coisas andam apertadas por aqui... Por isso a demora em nova postagens. Posto hoje "Sem Pensar", uma poesia que gosto muito. Sem Pensar Diga-me por bem O que é que tem Decidir-me ir Sem medir o passo Ou quer dizer então Que só com a razão Poderei viver? Descarto a precaução Mas aceito um carinho Com toda a ternura... Quando é que eu vou Conseguir me encontrar Neste caos que é o medo? E quando é que eu vou Conseguir descobrir Todos os teus segredos? Se o bom-senso vem De encontro a mim Me aconselha só A evitar o desgosto... Mas eu gosto tanto  Do futuro incerto Que tua boca traz Que dizem-me que não Mas vou de peito aberto  Sem olhar pra trás

Alívio

O título explica bem. A esperar que gostem: Alívio Eu sinto um alívio Que tem gosto de orvalho Curtido em carvalho De solo maldívio É uma gota gelada De verdadeiro conforto Deixando-me absorto Na paz almejada Não vou mais a esmo Mas com passo bem certo Estou consciente e desperto Da rotina de mim mesmo

Momento Textual # 1: Ferreira Gullar - As Peras

Resolvi criar um espaço para poder compartilhar textos de outros autores com vocês. Estes textos não ficarão restritos a poesias, e serão, na medida do possível, curtos. Podem vir acompanhados de um comentário meu ou não.  Esta nova seção difere do já existente neste blog (entretanto copiado)  "Momento Musical" pelo fato de que não são músicas - e não debaterei aqui as semelhanças que estas duas formas de expressão apresentam. Para mim, música é música, texto é texto e vice-versa. Támbém difere do  "Momento Citação"  porque não são citações propriamente ditas - e aqui também me absterei de possíveis discussões. Fica evidente portanto que, do alto da minha imensa criatividade, o nome deste espaço não poderia ser outro que não "Momento Textual" (rhá!). Espero comentários, positivos ou negativos, a respeito. Kiwi! As Peras As peras, no prato, apodrecem. O relógio, sobre elas, mede a sua morte? Paremos a pêndula.De- teríamos, a...

Soneto da Paixão Diafórica

Olhem só, mais um pseudo-soneto! Gosto demais desse, um dos meus poemas preferidos. A esperar que gostem: Soneto Da Paixão Diáforica Sois o Sol que molha a carne E a carne que a boca apraz Em ver o beijo fazer escarne Da falta que um beijo faz Sois morte dos meus temores De que eu acabaria em morte E que comprovaria sem sorte Que a vida é só dissabores Sois quem move-me aos montes, Expandes os meus horizontes E afastas de mim a solidão Então isente-me da metáfora, Para que eu coloque em diáfora: Paixão tenho por ti, paixão