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Porque à Flor da Pele Sinto

Porque à Flor da Pele Sinto Porque à flor da pele sinto a mudança que o tempo traz, por acaso (e sem pudor) decido ir a algum lugar em que destoe das rotinas e modelos de quem sou. Para que ressoem as razões indefiníveis de meu ser: e que lá descubra meus modos infindáveis de viver.

Desdenharte

Desdenharte Compoho-me, amor, de duas metades: uma razão, outra também. Fiz dos lugares comuns minha realidade iniludível: à revelia me entorpeço, descanso e me entorpeço, entorpeço e me descanso e me canso de tropeçar. Não sou capaz de oferecer o que tão sutilmente pedes: dou o que não tenho, sou o que desdenho e me esquivo de ser teu par. Amo quem me desdenha, mas não sei como te amar.

On Children and Bears

On Children and Bears My friend, children and bears have made us resentful. But lest we not forget that we are capable of love. One day joy will define the human endeavor and then we’ll can return to the seas that now unrest. Don’t mourn or suffer the passage of time: it bears remembrance that however humble our beginnings, we too shall find peace.   Esse poema foi inspirado aqui , aqui e aqui .

Amor, Não Lhe Darei Nomes

Amor, Não Lhe Darei Nomes Escrevo versos; devagar divago e indago se vivo. Vivo? Vivo? Vivo talvez porque me entristeço. Sonho contigo às duas da madrugada de uma noite noir; você  insensivelmente vai embora: serás tão recatada? Dou adeus à janela do vigésimo terceiro andar e caio à revelia, até que o chão  faça-se síntese. Amor, não lhe darei nomes.

Soneto da Incerteza

Soneto da Incerteza Ao estar certo me convém ter incerteza, pois sei que tecer verdades é ato vão. Sobre o tecido da verdade e da franqueza, passa o tempo: deixa apenas o algodão. Dura não mais, a verdade, em minha vida, que as histórias fabulosas da infância. O tempo corre e, gentil, dá-me guarida para descobrir minha verdade na alternância. E todos os engodos e os enganos passados foram meias mentiras e meias verdades que me permiti acreditar levianamente. Por isso quero meus fatos reinventados: ainda que reduzam meu ser a metades, me darão força para seguir adiante.

Elegia aos Meus Romances não Vividos

Elegia aos Meus Romances não Vividos Amor, mar que dias mil eu naveguei em ríspidos, rápidos e líquidos delírios: se outrora eras tão belo e insinuante por que agora tocas-me com o lábio que fere e despudora minha carne, causando-me esta dor tão angustiante? Se em meio a teus caminhos quase inertes divergiu a minha busca, e aí mesmo, minha brusca boca enlouqueceu-se com as repetidas palavras de carinho, atiradas sem pudor e sem remorso, e sem que a alma vislumbrasse viva cor, por que não mais que de repente te despedes de minha ingênua poesia? Por que a tua essência me é estranha, e não entranhas quem em verdade sou, e alegre tu não sentes o que sinto, e triste tu não pensas o que penso, e comigo não te consubstancias? Será que confiando a ti os meus desejos, sonhei eu de um modo tão disléxico, e tão sereno, e improvisado e imbecil, que não tornei-me sequer merecedor de um dia mais a velejar teu corpo vil? Desmonte verso a verso meus poemas e desafie-me novamente a descrever com as pal...

Solidão e Ela

Solidão e Ela Estou rodeado pelo azul e pela solidão, mas estou bem como sempre quis. E é por assim estar que indago a razão pela qual sem Ela sinto-me tão feliz. Oh minha amada, se és meu desejo juvenil, por que de mim foges tão elegantemente? Por que não te entregas ao amor febril que arde vigorosamente em minha mente? Oh solidão, minha companheira de moinhos: alenta-me e enlouquece-me em correspondentes partes. Há longos anos dá-me teus abraços, mas tuas mãos não me fazem carinhos. Faz de nós dois perpétuos amantes, mas deixa entrelaçar-me a outros braços.